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Por que vacinar meninos e homens contra o HPV?

Publicado em 16/01/2017

A partir de janeiro deste ano, a rede pública de saúde passa a oferecer a vacina contra o HPV para meninos de 12 a 13 anos como parte do Calendário Nacional de Vacinação. A faixa etária, de acordo com o Ministério da Saúde, será ampliada gradativamente até 2020, período em que serão incluídos meninos de 9 a 13 anos.

 

A ABPTGIC ressalta a importância desta vacina e a necessidade de se buscar o máximo de cobertura vacinal para os adolescentes de ambos os sexos nas faixas etárias indicadas a fim de se reduzir a incidência de câncer HPV induzido em nosso país.

 

Veja abaixo resumo de um editorial recente publicado por especialistas.

 

FONTE: DST - J bras Doenças Sex Transm 2016;28(2):39-43

 

Editorial: Por que vacinar meninos e homens contra o HPV?

·         O HPV vem preocupando diversos órgãos comprometidos com a saúde sexual e reprodutiva no mundo e em nosso país. Nesse contexto, o homem tem sido apresentado como um vetor e reservatório da infecção pelo HPV.

·         Não existe grupo de risco para o HPV.

·         Os grupos-alvo principais para a vacinação contra o HPV devem ser meninos e meninas adolescentes.

·          Pré-adolescentes devem receber o esquema completo antes do início da atividade sexual; com isso, estariam imunizados quando se deparassem com os vírus incluídos na vacina, evitando serem infectados pelo HPV.

·         Meninos apresentaram uma melhor resposta imunológica (isto é, produziram mais anticorpos que combatem as infecções) quando receberam a vacina, em comparação com jovens adultos. Quando fazemos uma avaliação entre infecção natural e resposta imune induzida pela vacina, observa-se que os meninos foram mais imunogênicos. Em outras palavras, desenvolveram mais anticorpos do que meninas e mulheres.

·         Homens não respondem adequadamente à infecção natural pelo HPV e muitas vezes não criam memória (B) imunológica, podendo estar susceptíveis tanto a outros tipos de infecção quanto ao mesmo tipo de vírus da infecção anterior.

·         Homens que fazem sexo com mulheres não vacinadas não estarão protegidos.

·         Homens que fazem sexo com homens (HSH) estão completamente desprotegidos por programas de vacinação exclusivos para mulheres.

·         A vacinação de adolescentes é um desa o em saúde pública. Entretanto, a disponibilização de campanhas de vacinação em escolas demonstrou ser efetiva e a forma mais e ciente de alcançar altas coberturas vacinais.

·         Discussão sobre a ética de estratégias de imunização contra o HPV direcionadas exclusivamente às mulheres.

 

·          Os homens deveriam ter a oportunidade de reduzir o risco individual de doenças por HPV por meio da vacinação, assegurando maior equidade na prevenção das doenças relacionadas ao HPV. Exemplos vistos no passado, como a imunização contra rubéola realizada apenas na população feminina, não levaram ao impacto de redução de doença. Muitas dessas estratégias foram posteriormente substituídas por vacinação universal de jovens, independentemente do sexo (gênero neutro), para assim alcançar níveis elevados de proteção e realmente reduzir a síndrome da rubéola congênita.



·         Com a vacinação contra o HPV disponibilizada para meninos na rede pública de saúde, estaremos abrindo as portas para a discussão (educação em saúde) para esse segmento da população que tanto é alijado das ações sobre educação em saúde sexual e reprodutiva, como o uso consistente de preservativos, o planejamento familiar, a testagem para sí lis, para HIV e para hepatite B (incluindo vacinação), entre várias outras ações. Isso porque métodos de prevenção se somam, não se excluem.?

 

NELSON VESPA JUNIOR Médico Consultor Independente. Médico Ginecologista. Pesquisador dos estudos de vacinas contra HPV 4V-9VE-mail: nvespa.us@gmail.com

MAURO ROMERO LEAL PASSOS Médico. Professor Titular. Chefe do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense E-mail: mauroromero@id.uff.br